És o que eras…

Pouco a pouco, vou-te soltando do meu corpo.
A outrora, minha alma-gémea, minhas palavras,
Agora tornou-se num café, numa ocasião…
A companhia, o abraço, as lágrimas transformaram-se num “como estás?”, num “estou bem.”
Não me sinto pelas lágrimas, ou pelos tombos,
Mas pelos sentimentos, por nós…
Pelo nós que foi e voou…
Pensei inúmeras vezes, o que seria de mim sem ti.
Mas vim a reparar que um novo “eu”, surgiu, um melhor “eu”, mais independente, mais são.
Adoro-te…
E durante muito tempo foste a minha vida, o meu chão e o meu tecto.
Agora és o que eras…
E eu…
Por fim, sou eu…

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Linha Azul

A pérola substitui o meu olho
A borracha a minha mão
E uma linha azul delínea livremente as minhas formas.
Sou transformada por conceitos Dada.
Não faço sentido, assim como a minha cabeça feita de uma cadeira.
O céu é feito de relva e as nuvens de castanhas.
As àrvores são lápis e os pássaros são letras.
Não tenho coração, pois o meu corpo é apenas uma linha.
Não tenho boca, não grito.
Não sinto nada, sou vazia, sou ar.
Sou a conexão entre uma cadeira, uma pérola, uma borracha e uma linha azul.

Complemento – “palavra ou expressão que completa o sentido de outra.”

As suas mãos percorrem o meu corpo,
A sua boca, os meus lábios,
E o seu pensamento, o meu ser.
Quer-me da mesma forma que o desejo.
Amor carnal e puramente físico,
Em que o meu corpo, continua a ser o meu corpo
E as minhas mãos, minhas continuam a ser.
Não há emoções, nem palavras.
Há a satisfação de um capricho, de uma vontade.
As mentiras não fazem parte deste jogo,
Dele fazem parte a vergonha e o perigo.
O “não te voltar a ver” não é certo, nem a possibilidade de te voltar a beijar.
As tuas mãos ainda me vão conduzir à tristeza de deixar a morte ir.
Se ela for, tu vais com o teu cremaster.
E eu ficarei comigo, com as minhas mãos, com a minha linha azul, e sem o meu complemento.

Pronome Pessoal

Quantas lágrimas haverão amparado os meus lençois azuis?!
E todas pelo mesmo motivo.
Ele.
É a única designação que lhe consigo atribuir, de pronome pessoal.
A cada terminal de sete, as minhas emoções, a minha auto-confiança, o meu ego, são substituidos pelo vazio.
Um vazio existencial, gerado pelo descontentamento que lhe causo, eu e as minhas acções.
Despreza-me por não corresponder a certas espectativas, e humilha-me por não responder ás suas provocações irónicas.
Cansei-me de me levantar depois de cada murro, e de me defender..desisti..e em vez disso baixo o olhar e saio do julgamento chorando enraivecida, porque não sou nada do que estava escrito, porque tenho personalidade.
A minha existência é comandada pelas suas palavras e humilhações, é delas que a sombra negra que tenho dentro de mim se alimenta e desenvolve.

Ode ao Deus que me controla,
Puxai os fios, que me mexerei…