De Roma a Saramago

Tenho-te preso em mim, como se de um pulmão meu te tratasses.
Sei o que significam os teus olhos,
Sei o que são as tuas mãos,
E reconheço o significado das palavras que deixas por dizer.

Rodeámos-nos de palavras e frases sobre alicerces e civilizações,
E debatemos o passado do indivíduo e do divino.
Perdemos as nossas horas a criar invenções já construídas,
E a renegar a ideias já testadas de outros.

Somos o que fomos, e o que seremos.
E tudo o que daí somámos.
Testamos-nos e deixamos-nos ir de tempos em tempos.

Guardarei as memórias com carinho.
Guardarei as conversas e discussões,
As suspeitas e o choro,
As frases e os passos.

Guardar-te-ei como companhia do meu passado e como presença do meu agora.
Os anos passam por nós e nós a ver a nuvens a correr no céu.

Ímpio

Parece mágico esse magnetismo que emites.
O alcance longínquo do teu olhar, parece chamar-me a ti.

A energia do teu sorriso prende-me sem que queira.
Não te consigo ler de forma perfeita, pois não o permites,
Mas trazes-me curiosidade e desarmas-me.

Não era suposto fazeres-me sorrir a mim.
Não podes ser minha. 

O enastrar do teu cabelo, dá-me vontade de tocar.
Quero agarrar-te para não te perder de vista.
Mas não podes ser minha.

Lembrar-te-ás da minha cor amanhã, ou será o cheiro dele que ficará em ti?

 

Linha Vermelha

“Encheste as tuas veias de ilusões e luzes azuis imaginárias, quando tudo era apenas vazio, desígnios e preto e branco.

O transformar frásico das palavras em erros e expressões vulgares torcem-me os pulsos e ardem-me os olhos.

Não vivo de fantasia ou de histórias de magia ou monstros.
Respiro o pragmático e o ortoscópico.

Vou parar-te antes de te perderes:
Não vais transformar a minha areia em vidro.
Não tu.
Não neste tempo.

Vai e parte no escuro com o chalrear do teu pássaro.
Vai e deixa-me com o caminho real que criei pra mim.”