Seguir

Eu sei que é errado.
Sei que tu és errado para mim,
e que sou errada para o teu mundo.
No entanto, quando te toco, as minhas mãos transparecem o meu desejo de te ter.
De te agarrar, de te querer para mim.
Levas-me o sono,
enches-me os sonhos com pedaços teus e foges.
Vejo-te em todo o lugar.
Sinto-te em toda a parte.
És o vento que entra no meu quarto de tarde.
És o nevoeiro que chega com o Outono.
És o ar, és o vazio.
Não adormeço sem te ter a meu lado, com a tua mão na minha cintura.
Não cozinho sem sorrir, a ouvir-te falar..
És tudo sem seres nada.
És outro nada com que me cruzo.
Um “nada” que custa a expulsar de mim.
Mas basta começar.

Já comecei.
Não tarda, não ouvirei o teu respirar em mim.
Cedo esquecerei o teu sorriso,
e nem tu serás capaz de distinguir a minha voz.

Como prometo sempre a mim própria, será fácil.
Como acontece sempre…Não será assim tão fácil.
Irás perseguir-me, como todos os “nada”.
Vou seguir, comigo.
Já segui.

Desaparece de mim…

Tenho os teus cabelos no meu ombro,
tenho o teu cheiro em mim.
Os teus dedos dobram até partir,
na esperança de te agarrarem á corda que une o precipício.
Lideraste o meu sonho, como personagem principal,
onde me beijaste, e onde senti a tua pele.
Os teus olhos lutam com o meu corpo,
os teus lábios com a minha vontade de te beijar.
Derrubaste ideias fundamentadas.
E construiste opiniões forçadas,
tudo em poucas palavras.
Desaparece de mim, como já levei outros a desaparecer.
Pára de entrar no meu quarto.
Pára de entrar na minha cabeça.
Pára de correr em mim.