Caminho

Que tipo de caminho é este?

Quis ir para tão longe, e o que ganhei?
Uma passada mais confiante?
Perdi o medo de arriscar?

Será que me deixei pelo caminho?
Será que me perdi?

Segui este, para me encontrar, mas sinto-me cada vez mais afastada do meu eu original.
O meu cheiro não é o mesmo.
Os meus olhos não veêm da mesma forma.
Até o sabor da maçã mudou.

Tentei afastar-me do nada pelo que me tomo, mas acabo por voltar.
A perguntar porquê.
A perguntar-me como continuo aqui.
A perguntar-me por que não ganhei coragem…

Paragem de Autocarro

Uma companhia de 20 minutos.
Uma leve troca de palavras e risos, sem demasiada importância.

E ficaste preso nos meus cabelos.

Levei-te a dormir nesse dia e fizeste parte do filme com autocarros e vontades.
Pergunto-me se já estavas por aqui, ou se só agora te vi desta forma.

Portas e vazios

As tuas palavras voltam, como se nunca tivessem saído de mim.

Sinto a tua falta.
A falta do carinho que tanto medo tens de demonstrar.

Se não fossem as fotos a preto e branco, serias meu?
Parece-me que não mas não me recrimino por me deixar ficar com essa ideia.
Às vezes precisamos de preencher o pequeno vazio que temos, com fantasias.

E como o faço…

Ter-te meu, é uma delas.
E como a alimentaste! Sabes bem que sim.

Abriste portas no meu corpo, que deviam ter ficado por abrir.
A porta para o “mereces melhor”.
A porta para o “alguém que te conheça conforme és”.
Portas que já existiam, mas que tranquei com a ajuda do conforto.

“-E agora o que faço comigo?” – perguntei-te.
“-O que tu quiseres!”

A verdade: não sabia estar apenas comigo.
Desaprendi, depois de anos de dedicação e contradição.

Puxaste-me para aqui e tive receio. Mas consegui.
Não te agradeço por isso.
Mas gostava de te ter mantido por aqui nem que isso significasse ficar com ele. Fá-lo-ia por ti, pela sanidade da nossa relação, pelo espaço entre nós criado por eles.

Cópia

A mesma pose.
O mesmo sorriso.
Os mesmos locais.

Questiono-me se não tens criatividade, ou se achas que se refizeres os passos vais sentir o mesmo…

Ela é ela.
Eu fui eu.

A mão dela não é a minha.
O olhar dela não tem os meus olhos,
e ela não cheira a praia.

Espero que percebas atempadamente, que tens de desenhar outro caminho.
Pega no lápis e rasga as folhas do exercício anterior.
Começa de novo. Sê tu. Sê feliz.