Ode à dor

Esbofeteia-me até sentires o calor das minhas faces,
corrompe o meu ser com essas palavras que ferem.
suga a minha energia e transforma-a em raiva, em maldade,
Pisa-me, usa-me e cospe em mim,
usa as tuas mãos, e sufoca-me, controla a minha respiração,
tu decides o ar que inalo.
Pontapeia-me até tornares o meu tom de pele num arroxeado.
Morde-me até sangrar,
e sente o meu gosto, nos teus lábios.
Odeia-me!
Castiga-me!
Transforma-me num objecto,
no teu objecto!
Amarra-me e controla-me,
Estou aqui,
sou tua.
Abusa de mim, (mas sem nunca te esqueceres de quem sou.)
E depois chora,
podes até gritar.
Dentro de ti vais sentir o veneno, vai detriorar-te
vais sofrer, cair
vais submeter-te a mim.
Vives, se eu deixar.
Morres, se eu mandar,
e quando eu quiser.

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Se um dia calhar, eu saber da tua morte…

Chegas aos meus sonhos,
mesmo quando não te chamo.
Apareces como um fantasma
e, assustas-me!
Se um dia calhar eu ver-te
não te vou mostrar ódio,
isso dar-te-ia prazer.
Vou desprezar-te!
A ti e às palavras passadas
as tuas e as minhas,
não as nossas!
Vou desprezar e pisar, e cuspir
Para veres que não prestas!
Se um dia calhar, eu saber da tua morte,
lá estarei.
Não para te vaiar!
Apenas para olhar em redor
e ver a quantidade de pessoas a assistir,
e para olhar nos teus olhos de cadavér
e sorrir.
Porque finalmente estão fechados e não me voltam a perseguir outra vez.