Conversas noturnas

vozesNão quero acordar.
Mas tenho medo de adormecer.

Não gosto de dormir.
Fico a pensar no que perderei se o fizer:
O tempo, as palavras, os olhares…

Gosto que me acompanhem pela noite.
Que me conheçam.
Que me relembrem de quem sou e do que já me esqueci.

Gosto de me dar.
Gosto que se dêem.

Questiono as afirmações.
E afirmo sobre as várias questões.

Quero mais, mas tenho medo de ir.
Então tento ganhar força engolindo as palavras de outros.

Tenho medo de fechar os olhos.
Tenho medo de estar sozinha no escuro.
Tenho medo de voltar a ouvi-las de novo.

Desamparo

Por vezes vejo peças do passado que me trazem desilusão.
Desiludida com as escolhas dos outros.

E pergunto-me se alguma vez estive na lista, ou se me forcei a pensar que estava.

As imagens surgem a preto e branco e os cabelos esvoaçam à frente dos meus olhos.
Deixo o peito que amparou os meus pensamentos por 90 minutos e faço-me acreditar que existe mais para mim.

E se não existir?

E se me iludi por tudo o que surgiu de forma efémera?

Não caio no negrume, mas quando cai a noite fico presa nos meus medos.
O que quero?
O que preciso?
De ser salva. Não é o que precisamos todos?!

E assumo que preciso que me abracem e que me digam que vais tudo correr bem.

Mas a verdade é que não deixo que se aproximem o suficiente para isso.
Deixo-me no desamparo e faço todos acreditarem que estou bem.
Até deixar de estar.

Convite

Se o que querias era que fosse em ti que eu pensasse, conseguiste.
A toda a hora.
E tento não invadir o teu espaço com o meu ar, mas é difícil conter-me.
Parece que percebes o que pretendo, sem precisar de me explicar.

Apenas ainda não percebi o que és tu.
Ou que papel tens.

Sendo que acredito que tudo tem um motivo de ser, ainda estou á espera de perceber o teu.

Nem acredito que estou a arranjar forma de ir sentir a TUA falta também
Acho que tenho um padrão, um mau padrão.
Aproximo-me demasiado de pessoas que não vão permanecer, ou ainda acreditas que vais ficar?!
Eu gostava que sim.

Mas isto, sou apenas eu a estragar tudo.
Gosto de compor as linhas de forma a que me cause dor.
E tenho tido sucesso.

Um convite: Ficas?

Lutar

Luto, juro que luto contra isto.
Mas não consigo.
Fisicamente, não consigo não ir até ti.
É como se me faltasse o ar.
Como se o meu estômago se contorcesse e quisesse sair.

O meu corpo impele-me a ir.
Obriga-me a aproximar-me e não dá para recuar.

E quando chego, arrependo-me.
De ter voltado a cair.
De te ter voltado a ver.
De te desejar, quando não é meu lugar fazê-lo.

Amor?

Cada vez mais a palavra ‘amor’ perde a grandeza.
Acho-a em pequenos detalhes, mas penso que se perca nos grandes atos.

Paixão, essa percebo.
E sinto-a diariamente.
É fugaz, sim.
Mas toma conta dos nossos sentidos e do nosso corpo.

É grandiosa e poderosa.
É vermelha e roxa.
É aperto e respiração rápida.

E o amor?
Proteção.
Conforto.
Confiança.
Um pacto.

Perdemos a individualidade ou ganhamos uma outra parte?