Flores de Gelo

O telefone toca vezes sem conta,
seguindo os meus olhos, cada toque.
Trrriimm…
Trrriimm…
O olhar desvia-se, alcançando os lábios.

O monitor é submergido, afundando-se na côr verde.

Farfalle com sangue, enche o vazio da fala.
O retorcer do ar, levanta o sorriso.
E o refúgio de madeira, afugenta os veados, mas alimenta os lobos que rodeiam.
O acontecer ocupa o tempo,
preenche o estômago.
Levanta,
desce,
levanta,
desce.
O movimento simulatório de elevador,
deixa sem querer cair os olhos e as bocas dos viajantes.
Os aviões de ataque, transportam os dedos que constroem
as flores de gelo.

Odin

O sol que passa pelo vidro, carrega nos algarismos…
Tic,
tic,
tic.
Surgem as vozes…
Um cabelo voa sobre o amarelo,
paira ascendendo no ar.
Retorce,
retorce,
o dedinho ate partir,
até a cadeira quebrar.
Os meus desejos são sonhos,
amarelos e açucarados
devorados por gigantes que vivem nos castelos lá do topo.
Dá-me um abraço Odin.
Agarra a minha mão e faz-me passar por entre os separadores,
e leva contigo o meu olho.