Quebrar as regras

Sinto o calor do teu corpo quando te aproximas sem me tocar,
o bafejo da tua pele tão perto, que me puxa,
enquanto as cores da tua boca, devoram os meus lábios.
A indignação do teu peito contra o meu.
O teu respeito sucumbe ao desejo.
Entalas-me entre a parede e o teu corpo,
Sinto cada músculo teu, contraindo e pulsando, as tuas mãos,
descontroladas,
sentem-me,
cada centímetro,
cada toque,
descobrindo.

Tocas-me as coxas.
Suspiro.
A roupa deixa de incomodar,
arrancada por ti.
Queres-me,
e eu sinto-o.
A cada segundo vais mais longe.
Levas-me contigo.
Gemo perto do teu ouvido, para que ouças o prazer que me dás.
As tuas mãos suportam-me enquanto me penetras,
puxas-me os quadris para me sentires mais fundo.
Sorris, quando um grito me foge dos pulmões.

A tua cabeça descansa no meu regaço,
o suor do nosso momento, funde-se.
Apoio-me no teu pescoço e desço.
Quero mais.

Quebras as regras, beijas-me,
soltando o sorriso, cansado.

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Quero mordiscar-te o coração


Agridoce esta tentação sem fundamento,
um toca e foge infantil e cheio de recuos.
As folhas cortam-me os dedos,
e as borrachas são azuis,
enquanto a tinta me denuncia, escorrendo pelas mãos.
Esta necessidade de sentir a chuva na minha pele nua,
de me fazer sentir no teu cheiro.
A analise dos extremos revela-se um quadrado perfeito,
partindo de mim um vector não-nulo.
Essas mãos que apanham os pontos que teimam em saltar, quero-as em mim.
Quero a frieza e a agressão desfeitas nos teus lábios,
quero a indecência a percorrer a minha saliva.
Um dedo cortado cai no telemóvel, derramando sangue envergonhado pelos circuitos.
A letra perfeitamente geométrica e os traços toscos e ao de leve, definem as suas mãos masculinamente inofensivas.
A sua pele cheira a invólucro de rebuçado para a tosse.
Um sorriso, roubado da infância, termina todas as conversas,
enquanto escorregando no mel, salta a timidez.
A palha na sua face, cobre a sabedoria do sol e faz irromper de ti a inocência e o atrevimento.
Atrever-te-às a pisar mais longe?
A fugir do que já te é familiar?
Disseste-me em segredo que sim, ninguém o ouviu, senão eu.
Quero mordiscar-te o coração.