A metade que era dele

Sei que era ela.
Tenho a certeza.
A minha mulher, a minha metade, o meu coração.
Deixou-me, largou-me no chão. Sem ela.
Ela que era tudo e que me deixou a ser nada.

Vazio.
Dormente.
Não sei ser.
Apenas sei ser o que era perto dela, junto do cheiro dela, da pele dela.

Sinto as paredes a fecharem-se em mim.
As palavras que me enchem, dizem-me para a deixar ir, mas tudo em mim luta pelo contrário.

Sei que és tu.
Tenho a certeza.
Podias ter sido a minha mulher, a minha metade. O meu coração esse, já o destruíste.
Deixaste-me, largaste-me no chão. Sem ti.
Podias ter sido tudo.

Eu vou ser eu, de novo.
Vou voltar a sê-lo.
Podias ter sido o meu tudo…
Mas demoraste a vê-lo. E apressaste-te a tê-lo.
Já não me pertences.