O que quis dizer…

Olhei para trás a cada 5 segundos,
estremeci e senti o meu coração a acelerar, respirei fundo e meti a máscara.
E tu meteste a tua.
Sorrimos e ficámos numa situação social vulgar.
Não somos “isto”. E tu sabes. Somos mais.
Na vez anterior nem para os meus lábios olhaste.
E nem sequer percebeste o que te disse.

«Tens de saber o que queres!»
A ti.
«…objetivos idênticos, pontos em comum…»
Tu.
«Em que é que o queres transformar?»
Em ti.

Prendi as palavras, para que não saissem.
Pensei que o meu olhar o dissesse, mas não ouviste.
Fiquei confusa, seria o que era, ou mais?!
Mais, sem nenhuma dúvida. Agora vejo-o.
Mas estavamos tão perto, que me cegavas. Só a ti eu via, ouvia e lia.
Respirei tudo de ti. A tua voz, os teus cheiros, as tuas palavras, os teus ouvidos, os teus lábios. Mas queria mais, e sabia que não podia. Ainda cheguei a querer mais.
Dei-te as minhas palavras. Jogaste-as no chão.
Saí. E tu não vieste atrás.
Voltei a ti, segui o teu cheiro, mas tive medo e dei a volta ao meu pensamento.
De novo quis ouvir-te. Fugi.

Apaixonei-me. Foi o que quis dizer. Isso e todas as palavras implicítas.
Percebes agora?
A meu entender já o tinhas percebido há muito tempo.
Mas não quiseste ouvir.
Fugiste.
Agora fui eu.