Mestre

Mestre,
dai-me coragem para avançar para o nada.

Já partilhei cada centímetro da minha alma, do meu corpo e sinto que os dei ao vento.

Pare, por favor de falar como se me percebesse.
Pare de me olhar como se me quisesse.

É uma tortura, deitada no divã, olhá-lo e não o poder ter.
É uma tortura, o seu cheiro misturado no ar que respiro.

Quero fugir. Não dele, mas de si.
Quero parar de falar.
Quero parar o tempo, para podermos ser outros fora deste espaço.

Quero ouvir as suas palavras, sem o interromper. E quero absorvê-las.
E quero não estar aqui. Novamente.

Não sirvo.
Não sou suficiente.
Para ele servia e arranjei até forma de encaixar.

Voltei ao vazio.
Voltei ao escuro.

Tenho medo.
De mim.