O avô dela

Falta-me o ar.
Parece que o meu peito vai fechar e que me leva com ele como um buraco negro.

Está ali o que resta de ti,
O que eras tu.
Tão calmo,
Tranquilo.

As lágrimas saem e nem sei onde as vou buscar.

Sinto a falta do real e do que era.
Do quente da tua mão e da forma como os teus olhos paravam em mim.

De que forma me faço continuar?
Como posso agora colocar um pé em frente do outro?
Como páro de chorar e ajo como antes?

O resto do mundo age por aí como se não tivesses contado.
Doi.
Queria que sentissem apenas parte do que eu sinto.
Dava-te peso, importância.

Quero refazer o fim, pode ser?
Quero abraçar-te com força,
e dar-te o meu amor e carinho, para que o leves contigo no escuro.

Espero que as labaredas te tenham aquecido,
que te tenham relembrado do calor da minha presença.
Que as cores do fogo te tenham encantado,
Que a madeira te enobreça,
E que as lágrimas que deixei cair pelo pescoço, te relembrem para sempre do preciosismo da nossa ligação.
Em homenagem a um avô.

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